Ex-dirigentes do Paços de Ferreira contestam decisão da Assembleia Geral e ponderam ação judicial

Resultados da AG do FC Paços de Ferreira sob contestação: sócios ponderam via judicial

Um conjunto de sócios do Paços de Ferreira, que inclui antigos presidentes como Fernando Sequeira e Moreira Lobo, está a contestar os resultados da Assembleia Geral extraordinária realizada a 24 de abril. Em causa está a votação sobre a entrada da PMK Sports na futura SAD do clube, cuja validade está agora a ser questionada.

Os signatários alegam que existiram falhas no processo de contagem dos votos, apontando inconsistências nos números apresentados, mesmo após uma revisão feita pela Mesa da Assembleia Geral. Entre as dúvidas levantadas estão discrepâncias no número de votos nulos, inicialmente indicados como 13 e posteriormente reduzidos para 10  e o alegado desaparecimento de um boletim de voto pertencente a uma das mesas.

Segundo o grupo, estas irregularidades podem ter influenciado o resultado final, colocando em causa a transparência e a legitimidade da decisão. Consideram ainda grave o facto de a ata ter sido aprovada com dados que a própria Mesa reconheceu mais tarde como incorretos.

Dada a importância da matéria relacionada com a possível entrada de investidores externos na estrutura da SAD, os sócios defendem a realização de uma nova votação, com garantias reforçadas de rigor e clareza.

Caso a situação não seja revista, os contestatários admitem avançar para os tribunais, não excluindo a apresentação de uma providência cautelar para travar os efeitos da decisão.

A polémica mantém-se em torno de um processo que poderá ter impacto significativo no futuro do clube pacense.

 

Pode ler-se  o comentário na íntegra:

O Paços não se decide com contas erradas

Caros associados do Futebol Clube Paços de Ferreira,

Ontem escreveu-se mais uma página negra na história do nosso clube. Seguramente já todos leram o comunicado da Mesa da Assembleia Geral com a “correção” da votação do pretérito dia 24 de abril.

Pois bem, este comunicado, embrulhado com um simbólico pedido de desculpas, mais não é do que um atentado à transparência, rigor e seriedade.

Os erros verificados nos resultados apresentados foram detetados por nós.

Assim que detetamos os erros, agendamos reunião com o Sr. Presidente da MAG para os expormos. Quisemos fazê-lo sem fazer qualquer comunicado geral ou divulgarmos a quem quer que fosse, com o intuito de não manchar a imagem do nosso clube.

Explicamos ao Sr. Presidente o sucedido e alertamos que o resultado real seria a NÃO aprovação da proposta da Direção. Demos conta que existe gravação da leitura dos resultados por parte do Vice-Presidente da MAG.

Ainda assim, uma vez que ocorreram erros e não ser claro qual o resultado final, sugerimos que fosse efetuada nova votação para que não se registassem quaisquer dúvidas de transparência junto dos sócios. Mais sugerimos que a votação fosse efetuada nos moldes em que são feitas as eleições dos órgãos do clube, isto é, votação durante um dia inteiro nas instalações do clube.

Como muitos se recordam, muitos foram os sócios que abandonaram a Assembleia de 24 de abril, dado o adiantar da hora. A esses sócios, por culpa da má condução dos trabalhos, foi retirada a oportunidade de votar naquela que é a maior e mais importante decisão do Futebol Clube Paços de Ferreira.

Não afirmamos de ânimo leve que esta é a decisão mais relevante da história recente do clube. Com efeito, nas eleições para os órgãos sociais, mesmo perante listas concorrentes, está sempre em causa a escolha entre sócios que partilham a identidade e os valores do Paços. Já no presente caso, o que se coloca é substancialmente distinto: trata-se da eventual entrega da sociedade desportiva e da sua gestão a entidades terceiras, alheias ao universo associativo e sem a mesma ligação ao clube.

Dois dias passados sobre a reunião com o Sr. Presidente, antes do comunicado oficial, este deu conta que a sua decisão seria manter o resultado anteriormente comunicado, ainda que com o “arranjo” dos votos.

Mais uma vez há erro na contabilização. Na AG foi dito que o número de votos nulos eram 13. Agora passamos a ter nas contas arranjadas 10 votos nulos. Mais foi dito em AG que a Mesa 4, com boletins de valor de 3 votos, tinha um voto nulo. Este boletim desapareceu nas novas contas! Como pode ser suprimido um boletim?

Acresce que, se este boletim nulo for reposto, teremos mais três votos a favor do NÃO. O que, teoricamente, levaria à vitória do SIM por um voto.

Mas o que é certo é que, se contabilizarmos este boletim nulo, então teremos 545 votantes e não os 544 que a MAG assegura.

Ou seja, mesmo com esta nova roupagem, inexiste dúvida de que os resultados continuam errados.

Relembramos que no final da Assembleia de 24 de abril foi escrita, lida, votada e aprovada a ata que descreveu os resultados que a própria Mesa agora reconhece estarem errados. A aprovação de uma ata com dados incorretos é, em si mesma, uma irregularidade.

Qual a legitimidade de manter um ato errado com vícios que comprometem a sua validade jurídica? Não podemos deixar de questionar se a intenção é obter um determinado resultado a todo o custo!

Não nos podemos conformar com a decisão tomada. Exigimos que seja revogada a decisão e agendado novo ato para votação dos sócios, sob pena de termos de agir judicialmente através de procedimento cautelar.

Exigimos seriedade, transparência e rigor por parte de todos os que tomam decisões em nome e representação dos sócios. O Paços sempre se honrou das suas contas certas.

Por Paços, Esforço e Vitória!

Moreira Lobo – Sócio 45

Fernando Sequeira – Sócio 32

Marcelo Ribeiro – Sócio 4957

Fonte do comentário    https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=pfbid0szqnp961Ghy1e34RyrUTqx12z3A7qk7mYucBUJxR8YGCJYrBaq4QLXsJ4W4YshUal&id=100008059906726

 

 

 

 

pode gostar também

Comentários estão fechados.