O Desporto como Espelho da Civilização: O Imperativo do “Basta”
“Diário de uma reflexão!
O Desporto como Espelho da Civilização: O Imperativo do “Basta”
As palavras de Pedro Proença não foram apenas um discurso; foram um manifesto de urgência
que ecoou como uma lufada de ar fresco num ambiente tantas vezes sufocado pela
hostilidade. “Hoje foi o dia de dizermos STOP à violência”, afirmou o presidente da FPF, e
com essa frase traçou uma linha inultrapassável na areia. Não se tratou de um mero
formalismo, mas de um apelo à consciência coletiva: que mundo, afinal, queremos deixar aos
que nos sucedem?
A crueza do diagnóstico de Proença — focado na proteção das equipas de arbitragem,
jogadores, dirigentes e, crucialmente, das crianças — encontrou um eco prático e intelectual no
fórum realizado no passado dia 10 de abril, em Paços de Ferreira, sob o mote “Educar a
Ganhar – O triângulo ético entre pais, clubes e arbitragem”, a iniciativa da Liga Amadora
TV e da Junta de Freguesia local serviu de palco para o que o desporto mais necessita:
inteligência emocional e compromisso cívico.
O artigo de opinião que o momento exige é um de elegância intransigente. Proença foi exímio
ao elevar o debate: a violência contra o jogo é uma violência contra a própria cultura. Quando
um árbitro é coagido ou uma criança presencia o insulto gratuito vindo da bancada, não é
apenas o regulamento que é ferido; é a dignidade do desporto que se desmorona, a Nobreza
da Ética sobre o Rugido da Bancada
O “triângulo ético” discutido no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Paços de Ferreira é a
resposta pragmática a este flagelo. É preciso entender que:
Ganhar a qualquer custo é o primeiro passo para a barbárie, a nobreza da Ética sobre o
“rugido” da bancada
Respeitar a autoridade de quem apita é o pilar fundamental de qualquer sociedade civilizada,
reconhecendo o papel do árbitro como instituição.
Se a bancada não educa pelo silêncio respeitoso ou pelo apoio positivo, o campo jamais será
um lugar seguro, vincado pelo papel dos pais.
Não podemos ficar indiferentes aos relatos que nos chegam.
A eloquência de Pedro Proença ao denunciar os episódios recentes de violência obriga-nos a
uma reflexão profunda.
O desporto deve ser o território sagrado do mérito, do esforço e da beleza estética, nunca um
campo de batalha para frustrações sociais.
Proteger as crianças, as “primeiras que devíamos proteger”, como bem sublinhou o líder da
Federação, é o nosso dever mais sagrado.
O fórum de Paços de Ferreira recordou-nos que o caminho para o sucesso desportivo passa,
obrigatoriamente, por uma pedagogia da tolerância.
Que este “STOP” não seja um ponto final, mas sim um novo começo.
Que a classe e o charme do jogo puro voltem a ser a norma, e que a violência se torne,
finalmente, um anacronismo num mundo que se pretende mais humano.
É tempo de educar para ganhar, mas, acima de tudo, é tempo de saber estar.
Por: Rui Hélder Gonçalves
Advogado
consultor jurídico
Nota: Os artigos são da exclusiva responsabilidade dos seus autores.

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